terça-feira, novembro 23, 2010

Olá pessoal

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sexta-feira, março 13, 2009

Conectando via USB no Windows Mobile

Para utilizar um aparelho com o Windows Mobile como modem, novamente recorremos ao "Compart. de Internet", dessa vez especificando que o PC está conectado através da porta USB:

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A dificuldade é que, mais uma vez, a Microsoft decidiu "inovar", criando um novo sistema de compartilhamento, em vez de simplesmente usar o perfil de modem USB, como em outros sistemas. No sistema da Microsoft, a porta USB é usada para simular uma conexão de rede entre o PC e o smartphone, através da qual a conexão é compartilhada.

No Windows XP, é necessário ter instalado do ActiveSync 4.2 (ou mais recente). Enquanto aberto, ele monitora as portas, estabelecendo a conexão de forma automática quando o compartilhamento é ativado no smartphone. A conexão é detectada pelo sistema como uma nova conexão de rede local:

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A principal dica no caso do Windows XP é desmarcar a opção "Permitir conexões USB" dentro da configuração do ActiveSync. Ela faz com que o sistema tente usar a porta USB para sincronização dos contatos e outras funções relacionadas ao sincronismo e acesso aos arquivos do smartphone, o que, em muitos casos, impede a ativação do compartilhamento de conexão:

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O Vista inclui os componentes necessários por default, de forma que o compartilhamento funciona diretamente, sem necessidade de instalar o ActiveSync. Como era de se esperar, a Microsoft se esforçou em melhorar o suporte aos smartphones com o Windows Mobile no Vista, já que é a desenvolvedora de ambos os sistemas.

O maior problema é como configurar a conexão no Linux, já passa a ser necessária toda uma nova camada de drivers. Como pode imaginar, a compatibilidade com o Linux não é exatamente uma prioridade para a Microsoft; e a compatibilidade com o Windows Mobile também não é exatamente uma prioridade para as distribuições, já que pouca gente os utiliza no Linux de qualquer forma.

Apesar disso, é possível configurar a conexão usando versões modificadas dos módulos "usbnet", "cdc_ether" e "rndis_host", desenvolvidos pela equipe do SynCE.

Para instalá-los, você vai precisar dos compiladores básicos. No Ubuntu, eles podem ser instalados através do pacote "build-essential":

# apt-get install build-essential

Em seguida, baixe o arquivo "usb-rndis-lite-0.11.tar.gz" (ou mais recente), disponível no:
http://www.synce.org/moin/SynceInstallation/Source

O passo seguinte é descompactar o arquivo, o que no terminal pode ser feito usando o tar:

# tar -zxvf usb-rndis-lite-0.11.tar.gz

Isso criará a pasta "usb-rndis-lite-0.11/" no diretório atual. Acesse-a e execute os comandos "make", "./clean.sh" e "make install" para fazer a instalação:

# cd usb-rndis-lite-0.11/
# make
# ./clean.sh
# make install

Esta é a receita genérica. Você pode, também, encontrar instruções específicas para várias distribuições no http://www.synce.org/moin/SynceInstallation.

A partir daí, ao plugar o smartphone na porta USB e ativar o compartilhamento da conexão, o aparelho passa a exibir a mensagem "Aguardando a rede" ou "Conectado", em vez de "Verifique a conexão do cabo USB". Em alguns aparelhos, você precisa desconectar e reconectar o cabo USB depois de clicar no "Conectar", para que ele detecte a conexão do PC.

Do lado do PC, o sistema detectará o smartphone como uma nova interface de rede, a "rndis0". Você pode confirmar a detecção usando o comando dmesg, que incluirá mensagens similares a:

usb 2-2: new full speed USB device using ohci_hcd and address 22
usb 2-2: configuration #1 chosen from 1 choice
usbcore: registered new interface driver cdc_ether
rndis0: register 'rndis_host' at usb-0000:00:02.0-2,
RNDIS device (SynCE patched), 80:1b:00:00:77:e4
usbcore: registered new interface driver rndis_host

Se tiver curiosidade de rodar o comando "cat /proc/net/dev" (que lista as interfaces de rede presentes no sistema), você verá uma entrada referente à interface "rndis0" no final da lista.

Ao usar o Ubuntu, ou outra distribuição que utilize o NetworkManager, a interface será ativada automaticamente e passará a ser exibida na lista de conexões:

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Em outros casos, você pode ativar a conexão usando o dhclient, de forma que o PC obtenha o IP e a configuração da rede via DHCP:

# dhclient rndis0

Se, por acaso, você tiver outra conexão ativa (uma conexão de rede local, por exemplo), use primeiro o comando "route del default" para eliminar a rota padrão e fazer com que o sistema realmente use a conexão do smartphone.

Assim como ao usar o compartilhamento via Bluetooth, o smartphone fornece um endereço dentro da faixa "192.168.0." (ou da faixa "169.254.2.", dependendo do aparelho) via DHCP e assume o papel de gateway da rede.

Em caso de problemas, acesse (no smartphone, dentro do "Compart. de Internet") o Menu Configurações da Conexão > USB para PC" e desmarque a opção "Habilitar funcionalidade avançada de rede". Ela costuma causar problemas não apenas no Linux, mas também no Windows XP.

Conectando via USB no Windows

Praticamente todos os fabricantes disponibilizam algum software de conexão que automatiza a configuração no Windows, como é o caso do Mobile Partner, usado pelos modems da Huawei e do Nokia PC Suite, que oferece a opção de conectar à web usando o telefone.

Como pode imaginar, estes softwares são na verdade apenas facilitadores destinados a reduzir as chamadas de suporte. Você pode conectar usando as próprias ferramentas do sistema, criando uma conexão dial-up e conectando diretamente. Se você é da época do acesso discado, vai com certeza ter flash-backs das lembranças felizes (ou nem tanto) dessa época. :)

O primeiro passo é fazer com que o sistema detecte o modem. Diferente do Linux, onde o suporte a modems USB é provido pelo módulo "usbserial", incluído diretamente no Kernel, no Windows você geralmente precisará instalar o software de comunicação (que inclui os drivers necessários) para que o sistema seja capaz de usar o modem.

Com o modem ativado, acesse o "Painel de Controle > Conexões de rede" e clique no "Criar uma nova conexão", escolhendo o "Conectar-me à Internet > Configurar minha conexão manualmente > Conectar-me usando um modem dial-up", como se estivesse configurando uma conexão discada. Escolha o modem USB na lista (em vez do modem discado onboard que provavelmente estará também disponível) e especifique o número de discagem (*99# ou *99***1#), login e senha; os mesmos que vimos nos tópicos anteriores:

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Com a conexão criada, você pode conectar através dela normalmente, usando o ícone no "Conexões de rede" ou no Desktop. Não é preciso especificar as strings de discagem ou ajustar as opções de conexão, pois o sistema obtém as configurações adequadas a partir do arquivo .inf incluído no driver do modem.

Script de configuração

A configuração que mostrei anteriormente é o mínimo múltiplo comum entre as diversas distribuições; os passos manuais que devem funcionar independentemente de você estar usando o Ubuntu ou o Mandriva. Justamente por isso, eles são relativamente complicados.

Se você está procurando uma solução mais simples, pode usar o meu script de conexão, disponível no: http://www.gdhpress.com.br/blog/script-vivo-zap/

Apesar do nome, ele pode ser usado também para conexões com outras operadoras. Ele automatiza os passos que mostrei ao longo deste tutorial, permitindo que você conecte usando:

    a) Um modem USB (o script inclui regras para o udev e workarounds para ativar modems Huawei E156, Huawei E220/226, Aiko 82D e outros).

    b) Um celular ou smartphone plugado na porta USB, sendo usado como modem. Nos Nokia você precisa apenas ligar o cabo e escolher o modo PC Suite.

    c) Conexão via Bluetooth DUN (o modo de compartilhamento usado nos Nokia e na maioria dos outros aparelhos)

    d) Conexão via Bluetooth PAN (o modo usado no Windows Mobile)

A conexão usando um modem USB é relativamente simples, enquanto as opções de conexão via Bluetooth são um pouco mais mais complicadas, mas o script ajuda a configurar a conexão fazendo apenas algumas perguntas simples.

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Intencionalmente, ele foi escrito usando uma interface em texto bastante simples, de forma a ser mais compatível e rodar em qualquer distribuição, sem a necessidade de instalar pacotes adicionais. Para as conexões via USB, ele precisa apenas que o wvdial esteja instalado (e que o Kernel em uso ofereça suporte ao modem), enquanto nas conexões via Bluetooth é necessário também que o bluez esteja disponível (ele vem pré-instalado em quase todas as distribuições atuais).

O script inclui também alguns workarounds para problemas comuns (como o ajuste da rota padrão) e mensagens explicativas para erros comuns. Da primeira vez que é executado, ele faz as perguntas necessárias e gera um arquivo de configuração. A partir da segunda, ele conecta diretamente, usando a configuração anteriormente gerada.

Solucionando problemas

Chegamos então às dicas para ativar o modem em distribuições antigas, baseadas em versões do Kernel anteriores à 2.6.20 (você pode checar a versão instalada usando o comando "uname -a"). Estes passos são necessários apenas se o modem não está sendo detectado automaticamente pelo sistema. Em outras palavras, é um "se tudo mais falhar". Se seu modem está funcionando, sinta-se livre para pular este tópico. :)

Para os modems Huawei 220 e 226 é necessário instalar o arquivo "huawei.tar.bz2", disponível no http://oozie.fm.interia.pl/pro/huawei-e220/. Ao ser instalado, ele adiciona as regras do UDEV que são necessárias para o sistema detectar o modem.

Se você achou a instalação do pacote complicada, outra opção é fazer o serviço você mesmo, criando o arquivo "/etc/udev/rules.d/99-huawei.rules", com o seguinte conteúdo:

SUBSYSTEM=="block", ACTION=="add", \
SYSFS{idVendor}=="12d1", SYSFS{idProduct}=="1003", \
OPTIONS="ignore_device"

SUBSYSTEM=="usb", SYSFS{idVendor}=="12d1", \
SYSFS{idProduct}=="1003", \
RUN+="/sbin/modprobe usbserial vendor=0x12d1 product=0x1003"

Estas orientações crípticas fazem com que o sistema ignore a detecção do CD-ROM virtual (o chip de memória Flash contendo os drivers Windows) e, logo em seguida, carregue o módulo que dá suporte ao modem, com os parâmetros apropriados para detectá-lo. Para que o sistema leia as novas regras sem que você precise reiniciar o micro, use o comando:

# udevcontrol reload_rules

Depois disso, desconecte o modem e reconecte novamente para que as regras façam seu papel e o modem seja detectado, passando a utilizar a porta "/dev/ttyUSB0". Espere uns 15 segundos para que o sistema tenha tempo de ativar o modem e, em seguida, tente ativar a conexão.

Outra solução para os Huawei é baixar o arquivo "huawei.out", disponível no http://wiki.ubuntubrasil.org/TimWeb (você encontra também uma cópia do arquivo dentro do http://www.gdhpress.com.br/blog/arquivos/vivozap.zip) e executá-lo antes de discar, como em:

# ./huawei.out
# wvdial 3g

Ele é um pequeno programa escrito em C, que se encarrega de ativar o modem, de forma similar à regra do UDEV que vimos a pouco (ele foi compilado para o Ubuntu 7.10, mas funciona também em algumas outras distribuições. Para as demais, é necessário baixar o código fonte e compilar manualmente).

Para o Huawei E620 (EC325) a receita é a mesma, a única diferença é que ele utiliza o idProduct "1001" e não "1003" como o E220. Para ativá-lo, precisamos modificar o número dentro do arquivo "/etc/udev/rules.d/99-huawei.rules", que fica:

SUBSYSTEM=="block", ACTION=="add", \
SYSFS{idVendor}=="12d1", SYSFS{idProduct}=="1001", \
OPTIONS="ignore_device"

SUBSYSTEM=="usb", SYSFS{idVendor}=="12d1", \
SYSFS{idProduct}=="1001", \
RUN+="/sbin/rmmod option; /sbin/modprobe usbserial vendor=0x12d1 product=0x1001"

Em algumas distribuições, é necessário descarregar o módulo "option" antes de carregar o usbserial, para que o modem seja detectado. Para facilitar, incluí o comando dentro do arquivo, para que ele seja executado automaticamente.

Para o Aiko 82D (ZTE MF622), que é outro modelo bastante comum, usado pela Vivo, Claro e TIM, o procedimento é similar, mudando apenas alguns dos parâmetros usados. Crie o arquivo "/etc/udev/rules.d/99_aiko82e.rules", com o seguinte conteúdo:

SUBSYSTEM=="block", ACTION=="add", \
SYSFS{idVendor}=="19d2", SYSFS{idProduct}=="2000", \
OPTIONS="ignore_device"

SUBSYSTEM=="usb", \
SYSFS{idVendor}=="19d2", SYSFS{idProduct}=="0001", \
RUN+="/sbin/modprobe usbserial vendor=0x19d2 product=0x0001"

Salve o arquivo, rode o comando "udevcontrol reload_rules" (como root) para ativar a nova regra e desconecte/reconecte o modem para que ele seja detectado.

Para o Huawei E156 não é necessário adicionar regras, pois nele o chip de memória flash é opcional (verifique se não existe um cartão microSD instalado na porta lateral), de forma que o sistema detecta o modem diretamente. Você precisa apenas adicionar as opções que mostrei anteriormente no arquivo "/etc/ppp/options" para que o wvdial consiga usá-lo. Sem elas o modem desconecta logo depois de estabelecer a conexão.

Estas mesmas dicas servem para quem acessa através do Giro. Apesar de (como de praxe) oferecerem suporte apenas a usuários do Windows XP e Vista, os aparelhos podem ser usados também em qualquer distribuição Linux recente. Ao ser plugado na porta USB, o celular é detectado pelo sistema como "/dev/ttyACM0" e a conexão pode ser ativada através do gnome-ppp, kppp ou do wvdial, da mesma forma que um modem 3G ligado na porta USB. Ao usar o wvdial, você pode configurar o "/etc/wvdial.conf" seguindo este modelo:

[Dialer giro]
Phone = #777
Username = giro@giro.click21.com.br
Password = giro
Stupid mode = 1
Auto Reconnect = on

[Dialer Defaults]
Modem = /dev/ttyACM0
Baud = 230400
Init1 = ATZ
Init2 = ATQ0 V1 E1 S0=0 &C1 &D2 +FCLASS=0
Modem Type = USB Modem

# Use "wvdial giro" para conectar

Como pode ver, é a configuração padrão para conexões via modem USB, especificando o device usado pelo modem, número de acesso, login e senha do serviço.

A principal dica é que você deve também editar o arquivo "/etc/ppp/options" (onde vão as opções relacionadas à conexão), comentando as linhas "lcp-echo-interval 30" e "lcp-echo-failure 4" e adicionando as linhas:

nodeflate
nobsdcomp

Estas duas opções são necessárias para desativar o uso de compressão e de modulação via software, que fazem com que a conexão trave. Como comentei anteriormente, as opções "lcp-echo-interval 30" e "lcp-echo-failure 4" fazem com que a conexão caia depois de dois minutos de inatividade, daí a necessidade de comentá-las.

Conectando via USB no Linux

Diferente dos softmodems para acesso discado, que são dispositivos burros, controlados inteiramente via software, os modems 3G USB são dispositivos completos, que executam todas as funções via hardware e são controlados através de comandos AT. Via de regra, todos são compatíveis com o Linux, suportados através do módulo "usbserial" do Kernel, responsável por criar o canal de comunicação por onde são transferidos os dados.

Os problemas de compatibilidade no Linux surgem devido a três fatores simples:

    1) Muitos modems incluem um chip de memória flash, que é usado para armazenar os drivers do Windows. Este chip de memória flash é visto pelo sistema como um drive de CD-ROM virtual, o que faz com que o modem se comporte como sendo dois dispositivos diferentes. Versões antigas do Kernel se confundiam com isso, detectando apenas a memória flash e não o modem propriamente dito, um problema que pode ser resolvido através de regras do UDEV que orientam o sistema a ignorar o drive virtual e ir direto para a detecção do modem.

    2) Distribuições antigas (que, conseqüentemente, são baseadas em versões antigas do Kernel) não incluem os códigos de identificação dos modems e por isso não são capazes de ativá-los automaticamente. Nesses casos precisamos apenas especificar manualmente ao carregar o módulo.

    3) Discadores como o kppp e o gnome-ppp foram originalmente desenvolvidos para usarem modems discados e não modems 3G. Isso torna a configuração muitas vezes complicada, pois você precisa especificar as strings corretas ao configurar, caso contrário acaba recebendo erros diversos na hora de conectar. Justamente por isso, prefiro usar o wvdial, onde você pode especificar toda a configuração diretamente.

Como pode ver, são todos problemas contornáveis. Em distribuições recentes, os passos são executados automaticamente, de forma que o modem é detectado como esperado. Para as distribuições antigas, onde isso ainda não acontece, você pode seguir as dicas no final do tópico.

A configuração é similar à que fizemos anteriormente, para conectar via DUN, porém com bem menos passos, já que não precisamos mais fazer o pareamento nem configurar a porta de comunicação.

Os modems USB são quase sempre detectados pelo sistema como "/dev/ttyUSB0", enquanto os smartphones ligados na porta USB são geralmente vistos como "/dev/ttyACM0", mas, como de praxe, podem haver exceções. Em caso de dúvida, você pode descobrir qual é a porta correta usando o comando "dmesg" alguns segundos depois de plugar o modem. Entre as últimas linhas, você verá duas mensagens similares a:

[77875.428241] option 7-3:1.0: GSM modem (1-port) converter detected
[77875.428517] usb 7-3: GSM modem (1-port) converter now attached to ttyUSB0

... onde o "ttyUSB0" indica a porta usada pelo modem, dentro do diretório "/dev".

A principal dica para não ter problemas relacionados à detecção do modem é usar uma distribuição recente, lançada a partir da segunda metade de 2008, como no caso do Ubuntu 8.10. Por utilizarem versões atualizadas do Kernel, elas são capazes de detectar os modems diretamente, sem necessidade de configurações manuais, como no caso das versões antigas.

Com o modem detectado, o próximo passo é configurar a conexão. Ao usar o wvdial, o arquivo "/etc/wvdial.conf" fica muito similar ao usado para conectar via DUN, com apenas algumas pequenas diferenças:

[Dialer 3g]
Modem = /dev/ttyUSB0
Baud = 921600
DialCommand = ATDT
Check Def Route = on
FlowControl = Hardware(CRTSCTS)
Username = vivo
Password = vivo
Phone = *99#
Stupid mode = 1
Auto Reconnect = on
Auto DNS = on
Init1 = ATZ
Init2 = ATQ0 V1 E1 S0=0 &C1 &D2
Init3 = AT+CGDCONT=1,"IP","zap.vivo.com.br"
ISDN = 0
Modem Type = Analog Modem

Em caso de problemas com a discagem, você pode experimentar remover a linha "Init3", que causa problemas em alguns modems. Ela não é realmente necessária (na maioria dos casos), pois o PC obtém a APN ao estabelecer a conexão.

Depois de salvar o arquivo, tente discar usando o wvdial. Com as opções que incluímos, a conexão deve passar a ser estabelecida normalmente.

# wvdial 3g

Caso o sistema não esteja obtendo automaticamente os endereços DNS da operadora ao ativar a conexão, edite o arquivo "/etc/ppp/options" e adicione a opção "ipcp-max-failure 30" no final do arquivo. Essa opção orienta o discador a esperar mais tempo pelas configurações da conexão antes de desistir, dando mais tempo ao servidor remoto.

Para a maioria dos modems, essa configuração é suficiente, mas muitos modelos, como o Aiko 82D e o Huawei E156, precisam de um conjunto de configurações adicionais. Originalmente, o modem chega a discar e iniciar a conexão, mas desconecta sozinho logo depois. Para solucionar o problema, é necessário voltar ao "/etc/ppp/options" e adicionar também as linhas "asyncmap 0xa0000", "mru 1500" e "refuse-chap" no final do arquivo.

Ele é um daqueles arquivos grandes e intimidadores, com mais de 350 linhas de opções, mas você não precisa se preocupar com elas; basta adicionar as linhas no final do arquivo, logo depois do "# ------", como em:

# ------
asyncmap 0xa0000
mru 1500
refuse-chap
ipcp-max-failure 30

Depois de fazer as alterações, é só discar novamente, usando o comando "wvdial 3g".

Se você está usando um smartphone e não está conseguindo estabelecer a conexão, experimente desligá-lo, ligá-lo e tentar conectar novamente. Se está usando um aparelho da Nokia, certifique-se de que ele está configurado para se conectar ao PC em modo PC suíte (a configuração vai no Conectividade > USB). Em alguns aparelhos novos, como o E71, está disponível também o modo "Conect. PC à Internet", mas ele não funciona no Linux, diferente do PC Suite.

Conectando via USB

Além dos modems USB, quase todos os smartphones e também muitos celulares simples com conexão USB são capazes de trabalharem como modem ao serem plugados no PC. No caso dos aparelhos da Nokia, por exemplo, você precisa apenas conectar em modo PC Suite para que a conexão fique disponível.

Embora seja um pouco imprático ligar o smartphone na porta USB e ficar com ele pendurado enquanto navega, a conexão via USB é mais simples de configurar e tem a vantagem de não limitar a velocidade da conexão (já que mesmo os 12 megabits de uma porta USB 1.x são mais do que suficientes para acomodar uma conexão 3G).


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Salvo eventuais bugs e problemas, a velocidade da conexão usando um smartphone como modem ou usando um modem USB é rigorosamente a mesma (presumindo que ambos suportem 3G, naturalmente). Nos aparelhos da Nokia, escolha o modo modo "PC Suite" ao ligar o aparelho na porta USB. No Windows, o smartphone será detectado como um "USB Modem" e no Linux será criada a porta "/dev/ttyACM0", similar ao que temos ao conectar um modem USB.

A primeira coisa a ter em mente é que os modems USB nada mais são do que celulares simplificados, onde a tela, teclado e outros componentes "não essenciais" foram removidos, deixando apenas o rádio, o processador de sinais e outros circuitos necessários para acessar a rede de dados.

Embora as operadoras geralmente ofereçam os planos de acesso à web sem voz apenas em conjunto com os modems USB, nada impede que você compre apenas o chip avulso e o utilize em qualquer aparelho que tiver em mãos. Os smartphones são, na verdade, melhores que os modems USB na maioria dos casos, pois a compatibilidade é melhor e a qualidade de recepção é superior, mas, de qualquer forma, do ponto de vista do sistema operacional as diferenças são poucas.

Conectando via Bluetooth no Windows Mobile (PAN)

No Windows Mobile, as coisas são um pouco mais complicadas. Até o WM 5, o sistema oferecia suporte a DUN e a conexão funcionava perfeitamente. Entretanto, a partir do WM 6 (mais especificamente, a partir do WM 5 com o AKU3), a Microsoft decidiu introduzir um novo sistema de compartilhamento, baseado no perfil PAN, que é usado através do "Compartilhamento de Internet".

O uso do PAN é vantajoso sobre alguns pontos de vista; o grande problema é que optaram por simplesmente remover o suporte a DUN, obrigando todos os interessados a migrarem para o novo sistema. Isso complicou as coisas não apenas para usuários de outras plataformas, mas também para usuários de versões antigas do Windows, anteriores ao XP SP2.

No caso do Linux, o PAN é bem suportado, desde que você utilize uma distribuição recente, como o Ubuntu 8.10 ou o Mandriva 2008. Eles já vêm com o suporte a Bluetooth e os módulos necessários pré-instalados, o que torna a configuração bastante simples.
O primeiro passo é fazer o pareamento entre o PC e o smartphone, o que no Windows Mobile 6 é feito através do "Iniciar > Configurações > Conexões > Bluetooth > Bluetooth Manager > Menu > Dispositivos com Correspondência > Adicionar". Certifique-se também de que o smartphone está configurado para aceitar conexões dentro da configuração do Bluetooth:

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Com o pareamento ativado, abra o "Iniciar > Programas > Compartilhamento de Internet", usando o "PAN do Bluetooth" como conexão para o PC e a conexão 3G (Vivo Zap, Claro dados, etc.) como conexão de rede. Ao clicar no "Conectar", o aparelho passa para o modo NAP, onde ele fica disponível para conexão de outros dispositivos autorizados:

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Falta agora fazer a conexão no PC. No Linux, a configuração consiste em apenas 3 comandos, executados como root. Comece carregando o módulo "bnep", que é o responsável por fazer tudo funcionar:

# modprobe bnep

O próximo passo é abrir a conexão usando o comando "pand -n --role PANU --connect", seguido pelo endereço do aparelho (que você descobre usando o comando "hcitool scan"):

# pand -n --role PANU --connect 00:1E:75:67:2B:30

Da primeira vez que executar o comando, o smartphone exibe uma mensagem perguntando se deve aceitar conexões vindas do PC (que naturalmente você deve autorizar). A partir daí, você verá uma série de mensagens confirmando o estabelecimento da conexão, como em:

pand[8471]: Bluetooth PAN daemon version 3.7
pand[8471]: Connecting to 00:1E:75:67:2B:30
pand[8471]: bnep0 connected

Em caso de erros, verifique se o pareamento foi pareamento corretamente e se o PC foi definido como dispositivo autorizado nas configurações do Bluetooth.

Com isso, é criada uma interface de rede virtual, a "bnep0", que é usada para a comunicação entre o PC e o smartphone. Para que a conexão seja finalmente ativada, falta configurá-la via DHCP, usando o comando:

# dhclient bnep0

Isso fará com que o PC receba um endereço na faixa 192.168.0.x. O smartphone passa então a compartilhar a conexão, ficando disponível através do endereço 192.168.0.1 (que é usado pelo PC como gateway e como DNS), de forma muito similar ao que temos ao compartilhar a conexão usando o ICS do Windows.

Esta é justamente a grande diferença entre o sistema PAN e o DUN. No PAN, o Bluetooth é usado como uma interface de rede e o smartphone compartilha a conexão via NAT, enquanto no DUN o Bluetooth é usado como porta serial e o PC estabelece a conexão diretamente, como se estivesse usando um modem discado.

Para fechar a conexão posteriormente, use:

# pand -K

Para listar as conexões ativas (em caso de dúvidas sobre se a conexão está ativa ou não) use:

# pand -l

Como pode ver, a conexão usando o sistema PAN a partir do Linux é até mais simples do que usando o DUN. A principal observação é que você precisa de uma distribuição relativamente recente para usar esta receita. Em distribuições antigas, o suporte é ainda incipiente, fazendo com que você tenha problemas diversos. Assim como em outras áreas, a solução mais simples nesses casos é simplesmente atualizar o sistema.

Com relação à usabilidade, o principal problema com o PAN é que você precisa ativar o Compartilhamento de Internet no smartphone cada vez que for conectar através do PC. Não é possível simplesmente ativar a conexão e sair navegando sem tirar o telefone do bolso, como no caso dos aparelhos da Nokia. Isso elimina parte do appeal de usar o Bluetooth em vez de simplesmente ligar o smartphone no cabo USB.

No Windows, a configuração é simples. Comece ativando o pareamento entre o PC e o smartphone através do "Painel de Controle > Dispositivos Bluetooth > Adicionar ...".

Ao fazer ativar o pareamento, é criada uma conexão Bluetooth PAN (Rede Pessoal > Conexão de rede Bluetooth) dentro do Conexões de rede, que inicialmente vai ficar desconectado.

No smartphone, ative o "Compartilhamento de Internet", usando o "PAN do Bluetooth" como conexão para o PC (como fizemos ao configurar a conexão no Linux) e clique no "Conectar".

De volta ao PC, acesse o "Painel de Controle > Rede" e clique sobre o ícone da conexão de rede Bluetooth. Isso abrirá uma nova janela com os dispositivos Bluetooth com suporte ao modo NAP. Clique sobre o ícone do smartphone e em seguida no "Conectar":

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Assim como no Linux, o smartphone fornece um endereço de rede local ao PC, que passa a acessar a web via NAT, através dele. Se tanto o transmissor Bluetooth do PC quanto o do smartphone suportarem o EDR, o balãozinho da conexão mostrará que você está conectado a 3 megabits, caso contrário ele mostra que está conectado a apenas 1 megabit. Naturalmente, a velocidade indicada corresponde ao link Bluetooth e não à velocidade real da conexão.

Pegando carona em outros aparelhos

Além de usar a conexão no PC, é possível também navegar via DUN em aparelhos com o Windows Mobile (nas versões PocketPC). Isso é interessante se você tem algum amigo com um plano de dados ilimitado, que não se importe em ter você como carona. Funciona da mesma forma que ao conectar através do PC usando o smartphone como modem, mas, nesse caso, usamos o aparelho com o Windows Mobile no lugar do PC.

O primeiro passo é ativar o modo de acesso remoto no smartphone com a conexão, da mesma forma que você faria caso fosse conectar através do PC. Como vimos anteriormente, o recurso já vem ativado por padrão nos aparelhos da Nokia.

O próximo passo é fazer o pareamento entre os dois aparelhos, e configurar o outro para permitir as conexões provenientes do seu. Um passo importante é marcar a opção "Rede Dial-up" dentro das configurações do dispositivo no smartphone com o Windows Mobile (o carona):

index_html_79ad8fb0 index_html_20e19353 index_html_m627847d7

Depois de tudo pronto, acesse o "Conexões" e crie uma nova conexão usando o "Adicionar nova conexão de modem":

index_html_m2327f2ef index_html_m6d8247a6

No menu seguinte, escolha a opção "Bluetooth" e forneça o número de discagem (o *99***1# ou *99#). Na tela seguinte, coloque qualquer coisa nos campos de login e senha e indique o ponto de acesso da operadora ("claro.com.br" ou "tim.br") no campo do domínio:

index_html_3e92c0c4 index_html_62346d67 index_html_m632932ef

Se tiver outras conexões definidas, configure a ordem de prioridade clicando no "Gerenciar conexões existentes". Essa configuração faz que, quando não houver outra conexão disponível, o carona tente abrir uma conexão via Bluetooth, discando e acessando a rede através do outro aparelho, como se fosse um PC:

index_html_m58d30158 index_html_m6093468d

Naturalmente, só funciona enquanto você estiver próximo do outro aparelho, dentro do alcance do Bluetooth (que, na prática, não passa de dois ou três metros), mas não deixa de ser uma opção interessante para quem usa um aparelho com o Windows Mobile. A principal limitação é que este recurso funciona mesmo apenas nas versões Pocket PC, já que a opção de conectar via Bluetooth é removida nas versões Smartphone.

Infelizmente, essa opção não existe no S60, pois a Nokia é fortemente amarrada à operadoras e elas certamente não gostariam muito que os assinantes dos planos de dados ilimitados passassem a compartilhar a conexão com os amigos.

Embora a configuração seja complicada, é possível conectar usando uma conexão compartilhada via Bluetooth através do PC com a ajuda do Hiisi Suite ou do GNUbox, mas eles não suportam a conexão através de outros smartphones, como no caso do Windows Mobile. Isso faz com que eles não tenham muita utilidade prática, já que se você está do lado do micro, pode navegar diretamente através dele, em vez de se bater para compartilhar a conexão e navegar usando a telinha do smartphone.

Conectando via Bluetooth DUN no Windows

No Windows, a configuração é mais automática, já que você pode contar com os discadores oferecidos pelos fabricantes. No caso dos aparelhos da Nokia, por exemplo, você precisa apenas instalar o PC Suíte e usar a opção "Conectar à Internet". É possível também configurar a conexão manualmente, o que me dá assunto para escrever mais um tópico.

Se você está usando o XP SP2, ou o Vista, pode fazer o pareamento usando o ícone do Bluetooth ao lado do relógio. Ao acessar a configuração pela primeira vez, ele pede que você defina a passphrase de acesso. A partir daí, você pode ativar o pareamento fornecendo o mesmo código de segurança no smartphone.

Em seguida, acesse as propriedades do dispositivo e confirme se o "Rede Dial-up (DUN)" está ativado, como no screenshot:


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Se, por acaso, você está usando uma versão antiga do Windows, que ainda não possua o stack Bluetooth nativo, pode fazer a configuração usando o BlueSoleil, que é encontrado no CD de instalação da maioria dos adaptadores. Dentro do programa, use a opção "Tools > Find Device" para localizar o aparelho. Clique sobre ele com o botão direito e use a opção "Pair Device".

Depois feito o pareamento, clique sobre ele novamente para que sejam detectados os profiles suportados. Para o DUN, que é o que nos interessa, é ativado o ícone do modem:

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Feito isso, crie uma conexão via modem através do Painel de Controle > Redes, indicando a porta serial referente ao smartphone. A partir daí, os passos são similares à criação de uma conexão normal via modem, onde você informa o número de discagem e a senha da conexão. Apesar das operadoras divulgarem senhas de acesso (vivo/vivo, claro/claro, etc.) você pode na verdade usar qualquer valor, pois a autenticação é feita pelo próprio aparelho:

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Nas propriedades do modem (Geral > Configurar), não esqueça de aumentar a velocidade da porta para 921600 bps, para que ela não limite a velocidade da conexão. É recomendável também desativar as extensões LCP dentro da opção "Rede > Configurações", o que previne o problema da conexão ser encerrada a cada dois minutos.

Conectando via Bluetooth DUN no Linux

Assim como no caso das placas wireless, o suporte a modems 3G e a conexões via Bluetooth tem evoluído rapidamente, muito diferente do que tínhamos na época dos modems discados. Desde que você use uma distribuição atual, praticamente todos os dispositivos são suportados e a configuração é relativamente simples. As versões recentes do NetworkManager, por exemplo, já oferecem suporte nativo a conexões móveis, através da aba "Banda larga móvel":

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Entretanto, o NetworkManager é ainda um trabalho em desenvolvimento. No Ubuntu 8.10, por exemplo, ele é capaz de configurar conexões para modems USB, mas não para smartphones conectados via Bluetooth. Vamos então aos passos manuais, que você pode usar em qualquer distribuição.

O primeiro passo é descobrir qual é o endereço do transmissor Bluetooth do smartphone, usando o comando "hcitool scan":

$ hcitool scan

Scanning ...
00:21:FE:CF:A2:E1 E71

Nos aparelhos baseados no S60, você pode também ver o endereço digitando o código *#2820# na tela inicial.

Precisamos descobrir também qual é o canal usado pelo smartphone para o acesso ao DUN. Para isso, usamos o comando "sdptool search DUN":

$ sdptool search DUN

Inquiring ...
Searching for DUN on 00:1B:AF:E4:AA:5B ...
Service Name: Dial-Up Networking
Service RecHandle: 0x10003
Service Class ID List:
"Dialup Networking" (0x1103)
Protocol Descriptor List:
"L2CAP" (0x0100)
"RFCOMM" (0x0003)
Channel: 2

Language Base Attr List:
code_ISO639: 0x454e
encoding: 0x6a
base_offset: 0x100
Profile Descriptor List:
"Dialup Networking" (0x1103)
Version: 0x0100

Como pode ver, ele devolve uma grande quantidade de informações, mas o que nos interessa é a linha "Channel", que no meu caso é 2. O canal 2 é usado pela maioria dos aparelhos da Nokia, enquanto aparelhos de outros fabricantes usam normalmente o canal 1. De qualquer forma, não custa verificar.

O passo seguinte é ativar o rfcomm, que cria um link serial entre o desktop e o smartphone, permitindo o uso do DUN. Para isso, edite o arquivo "/etc/bluetooth/rfcomm.conf", deixando-o com o seguinte conteúdo:

rfcomm0 {
bind yes;
device 00:21:FE:CF:A2:E1;
channel 2;
comment "E71";
}

Note que o "00:21:FE:CF:A2:E1" e o "E71" correspondem ao ID e ao nome do aparelho, que você obtém ao rodar o comando "hcitool scan". É importante indicar corretamente o canal, já que sem ele o PC não consegue se conectar ao smartphone.

Continuando, dê uma olhada também no arquivo "/etc/bluetooth/hcid.conf", onde vão as configurações gerais do Bluetooth. Este é um exemplo de arquivo de configuração, que você pode usar como modelo:

options {
autoinit yes;
security auto;
pairing multi;
passkey "1234";
}

device {
name "PC";
class 0x3e0100;
iscan enable; pscan enable;
lm accept;
lp rswitch,hold,sniff,park;
}

As opções importantes aqui são as linhas "passkey" e "name". As demais já vêm configuradas por padrão, permitindo a conexão de qualquer dispositivo.

A opção "name" determina o nome com o qual seu PC aparecerá na piconet (a rede Bluetooth). A passkey (também chamada de PIN) é um código de segurança, que você precisa fornecer na hora de conectar seu celular ou qualquer outro dispositivo ao seu PC. A passkey default é "1234" (depois de testar, não deixe de mudar para algo mais seguro).

Depois de terminar, reinicie o serviço do Bluetooth para que a configuração entre em vigor:

# /etc/init.d/bluetooth restart

Nesse ponto, o comando "rfcomm" deve mostrar algo como:

# rfcomm

rfcomm0: 00:21:FE:CF:A2:E1 channel 2 clean

Isso indica que o link entre o PC e o celular foi criado com sucesso. Verifique também se o arquivo "/dev/rfcomm0" foi criado. Em alguns casos, pode ser necessário desligar e ligar o smartphone para que ele seja criado corretamente.

O próximo passo é (se já não fez anteriormente) ativar o pareamento entre o PC e o smartphone. A principal dica é que você deve definir seu notebook como dispositivo autorizado dentro da configuração do Bluetooth (que nos Nokia vai no "Configurações > Conectiv. > Bluetooth") depois de fazer a conexão inicial, de forma que você possa ativar a conexão quando quiser, sem precisar ficar respondendo a perguntas adicionais:

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Nesse ponto, o suporte a Bluetooth já está configurado e testado, falta apenas estabelecer a conexão usando o kppp, gnome-ppp ou outro discador.

A forma mais rápida de configurar a conexão é usar o wvdial, que é um discador de modo texto, onde você pode simplesmente colocar as configurações de discagem dentro de um arquivo de configuração e chamá-lo sempre que quiser ativar a conexão. Você pode instalá-lo usando o gerenciador de pacotes, como em:

# apt-get install wvdial

ou:

# urpmi wvdial

Para usá-lo, edite o arquivo "/etc/wvdial.conf", seguindo este modelo:

# Modelo do /etc/wvdial.conf para conexões via DUN:

[Dialer 3g]
Modem = /dev/rfcomm0
Baud = 921600
DialCommand = ATDT
FlowControl = Hardware(CRTSCTS)
Username = vivo
Password = vivo
Phone = *99#
Check Def Route = on
Stupid mode = 1
Auto Reconnect = on
Auto DNS = on
Init1 = ATZ
Init2 = ATQ0 V1 E1 S0=0 &C1 &D2 +FCLASS=0
Init5 = AT+CGDCONT=1,"IP","zap.vivo.com.br","",0,0
ISDN = 0
Modem Type = Analog Modem

As linhas "Modem", "Username", "Password" e "Phone" especificam a porta e as configurações da operadora, enquanto as linhas "Init1", "Init2" e "Init5" especificam as strings de discagem. Estas do exemplo são as strings para conexões via Bluetooth, mas outros tipos de conexões podem utilizar strings diferentes. Veja que a antepenúltima linha especifica a APN da operadora; não se esqueça de alterá-la caso necessário.

Depois de salva a configuração, você precisa apenas usar o comando "wvdial 3g" (como root) quando quiser conectar:

# wvdial 3g

--> WvDial: Internet dialer version 1.56
--> Initializing modem.
--> Sending: ATZ
ATZ
OK
--> Sending: ATQ0 V1 E1 S0=0 &C1 &D2 +FCLASS=0
ATQ0 V1 E1 S0=0 &C1 &D2 +FCLASS=0
OK
--> Sending: AT+CGDCONT=1,"IP","zap.vivo.com.br","",0,0
AT+CGDCONT=1,"IP","zap.vivo.com.br","",0,0
OK
--> Modem initialized.
--> Sending: ATDT*99#
--> Waiting for carrier.
ATDT*99#
CONNECT

Como pode ver, o wvdial mostra todos os detalhes da conexão, o que acaba sendo útil para solucionar problemas inesperados (já que você pode ver as mensagens de erro e pesquisar sobre elas). Para encerrar a conexão, pressione Ctrl+C (apenas uma vez) e deixe que ele faça o processo normal de desconexão e restaure a rota padrão. Caso esteja curioso, o "3g" no comando para conectar especifica o nome da conexão, que é definido na linha "[Dialer 3g]".

Se algo der errado durante a discagem (mesmo que a configuração esteja correta), experimente reiniciar o smartphone e tentar de novo. Nos aparelhos da Nokia, é muito comum que o subsistema Bluetooth fique travado, impedindo que você se conecte, o que é rapidamente resolvido ao desligar e ligar o aparelho.

Muitas distribuições antigas (anteriores a 2008) usam uma versão bugada do wvdial, que não altera a rota padrão depois de conectado. Isso faz com que o sistema continue tentando acessar através da placa de rede (ou outra conexão já existente) em vez de acessar usando a conexão 3G, o que causa o famoso "conecta mas não navega". Nesses casos, é necessário rodar o comando "route del default" antes de estabelecer a conexão, como em:
# route del default
# wvdial 3g

Para reconectar à rede local depois de fechar a conexão (se for o caso), use:

# /etc/init.d/networking restart

ou:

# /etc/init.d/NetworkManager restart

(no Ubuntu ou outras distribuição que usam o NetworkManager)

Algumas operadoras, com destaque para a Claro e a Embratel (com o Giro), têm implementado um sistema de timeout, que faz com que as conexões sejam encerradas depois de alguns segundos de inatividade e restabelecidas automaticamente assim que é necessário transmitir dados. O problema é que, em áreas com muitos assinantes, o processo pode demorar alguns segundos, ou mesmo travar a conexão completamente, te obrigando a desconectar e reconectar novamente.

Uma solução simples para isso, no Linux, é usar o ping para enviar um pacote de dados a cada dois segundos, evitando que a conexão seja encerrada. Basta abrir um terminal e deixar o comando correndo enquanto estiver conectado:

$ ping -i 2 google.com

Se estiver preocupado com a segurança, você pode ativar um firewall simples para bloquear tentativas de conexão vindas da Internet adicionando os comandos:
iptables -A INPUT -p tcp -i ppp0 --syn -j DROP
iptables -A INPUT -p udp -i ppp0 --dport 1:1024 -j DROP

... no final do arquivo "/etc/ppp/ip-up.local".

Se quiser compartilhar a conexão com outros micros ligados em rede com o primeiro (você pode criar uma rede ad-hoc, usando a placa wireless, e assim compartilhar a conexão rapidamente com os amigos, por exemplo), adicione as três linhas abaixo no mesmo arquivo:

modprobe iptable_nat
echo 1 > /proc/sys/net/ipv4/ip_forward
iptables -t nat -A POSTROUTING -o ppp0 -j MASQUERADE

O arquivo "/etc/ppp/ip-up.local" é executado automaticamente pelo sistema quando a conexão é ativada. Dessa forma, ao colocar os comandos no final do arquivo, o firewall e/ou o compartilhamento passa a ser ativado automaticamente sempre que você ativa a conexão. Você pode também executá-los de forma avulsa diretamente no terminal.

Se, por acaso, você tiver problemas de estabilidade, com a conexão caindo a cada dois minutos, abra o arquivo "/etc/ppp/options" e comente (ou remova) as linhas:

lcp-echo-interval 30
lcp-echo-failure 4

O "lcp-echo" é um pacote de controle, usado para verificar se a conexão ainda está ativa. Quando o servidor do provedor de acesso deixa de responder, o discador presume que a conexão foi perdida e desconecta automaticamente. O problema é que estes pacotes não são suportados em muitos aparelhos (como no Treo 650), fazendo com que a conexão sempre caia depois de dois minutos.

Conectando via Bluetooth DUN

Apesar de ser mais associado com o uso de headsets e transferência de pequenos arquivos, o Bluetooth possui dois perfis que permitem que o smartphone compartilhe sua conexão de dados com outros aparelhos, incluindo, naturalmente, os PCs e os notebooks.

O sistema mais tradicional é o DUN (dial-up network), onde o smartphone simula o comportamento de um modem, permitindo que o desktop "disque" e acesse a rede da operadora através dele. Na verdade, a conexão é estabelecida pelo próprio aparelho, apenas os pacotes são repassados ao desktop, usando o Bluetooth como uma porta serial. Este é o sistema usado nos aparelhos da Nokia e também em aparelhos de outros fabricantes, baseados no S60 ou em outros sistemas que não sejam o Windows Mobile.

Em seguida, temos o sistema PAN (usado exclusivamente em aparelhos com o Windows Mobile) onde é simulada uma rede local, com o smartphone compartilhando a conexão e distribuindo endereços de rede interna para os PCs, como se fosse um servidor Windows com o ICS ativado.

Atualmente, os aparelhos da Nokia com o S60 são (de uma forma geral) as melhores opções para conectar usando o notebook, já que eles suportam DUN nativamente. Ele fica disponível por padrão depois de fazer o pareamento e autorizar as conexões proveniente do PC, sem que você precise de nenhuma configuração em especial.

O suporte ao DUN é tão maduro que você pode até mesmo usar a conexão simultaneamente no PC e no próprio aparelho (o que permite que você "empreste" a conexão para algum amigo necessitado, sem precisar deixar o smartphone parado enquanto ela está sendo usada). Você também não terá grandes dificuldades em usar a conexão em outros dispositivos, como navegadores GPS ou mesmo em Pocket PCs ou outros smartphones que ofereçam suporte ao DUN.

O DUN é suportado também em aparelhos mais antigos, baseados no S40 (alguns dos modelos atuais oferecem inclusive suporte a 3G) e em smartphones com o UIQ, usado em muitos modelos da Motorola e da Sony Ericsson). Em ambos os casos, também não é necessária nenhuma configuração além de fazer o pareamento entre o PC e o smartphone e autorizar o PC a fazer conexões automaticamente.

Em aparelhos antigos, pode ser necessário ativar uma opção nas configurações. Nos Treos, por exemplo, ele é ativado através da opção "Dial-up Networking", disponível no "Prefs > Bluetooth".

No PC, a configuração básica inclui o número de discagem, a porta em que o modem está conectado (que no caso da conexão via Bluetooth no Linux é a "/dev/rfcomm0") e a APN da operadora.

Aqui vão os parâmetros de configuração para as principais operadoras, no início de 2009. As configurações mudam conforme as operadoras atualizam suas redes, por isso não deixe de checar em caso de erro:

    Vivo:
    Usuário e senha: vivo/vivo
    Telefone: *99#
    APN: zap.vivo.com.br

    Claro:
    Usuário e senha: claro/claro
    Telefone: *99***1#
    APN: bandalarga.claro.com.br (ou claro.com.br)

    TIM:
    Usuário e senha: tim/tim
    Telefone: *99# (para as conexões 3G) ou *99***1# (para os planos antigos, com EDGE)
    APN: tim.br

    * Se, por acaso, você ainda estiver usando um dos planos CDMA da Vivo, o número de discagem é "#777" e o login é o número do telefone (incluindo o código de área), seguido de um "@vivozap.com.br" (como em "1199998888@vivozap.com.br") com a senha "vivo".

Conectar via Bluetooth pode ser um pouco mais complicado do que simplesmente usar um modem USB, mas oferece a vantagem de ser uma solução 100% wireless. Você pode deixar o smartphone com o DUN ativado e efetuar a conexão a partir do notebook sempre que precisar, sem nem tirá-lo do bolso.

Como o Bluetooth trabalha com um sinal bem mais fraco que as redes Wi-Fi, não espere um grande alcance. De uma forma geral, você tem uma boa conexão apenas dentro da mesma sala onde está o aparelho, daí a idéia de mantê-lo no bolso ou na mochila (nas áreas com bom sinal), ou colocá-lo próximo à janela nas áreas com cobertura ruim.

Existem dois tipos de adaptadores Bluetooth no mercado: os classe 1, que possuem um alcance teórico de 100 metros, e os classe 2, que utilizam transmissores de baixa potência e oferecem um alcance de apenas 10 metros. Entretanto, como o smartphone muito provavelmente utilizará um transmissor de classe 2, o alcance acaba sempre sendo nivelado por baixo, mesmo ao utilizar um transmissor classe 1 no desktop.

Outra coisa a ter em mente é a velocidade. O padrão Bluetooth original oferece uma taxa bruta de transmissão de 1 megabit; entretanto, devido à modulação do sinal, a taxa obtida na prática são apenas 736 kbits em modo assíncrono ou 432 kbits em modo síncrono.

Apesar da velocidade ser mais do que suficiente para o uso de headsets USB, conexão de teclados e mouses ou mesmo para a transferência de pequenos arquivos, ela limita severamente o uso do Bluetooth para algumas funções, como ao criar redes PAN (onde o Bluetooth é usado como interface de rede) e ao conectar via DUN, usando o smartphone como modem Bluetooth.

Como no DUN é usado o modo síncrono de transmissão, a velocidade da conexão fica limitada a cerca de 54 KB/s, bem menos que as taxas máximas de transmissão das redes HSDPA, que vão de 1.8 a 7.2 megabits. Na rede da Vivo, por exemplo (onde é utilizada a versão de 3.6 megabits), é possível obter uma taxa real de cerca de 145 KB/s (assim como nas redes Wi-Fi existe uma grande perda devido à modulação do sinal e ao compartilhamento da banda), mas, ao conectar via Bluetooth, sua conexão fica limitada aos 54 KB/s oferecidos por ele.

A solução para o problema é o padrão EDR, introduzido juntamente com o Bluetooth 2.0. No EDR, a velocidade de transmissão foi multiplicada por três, atingindo 3 megabits de taxa bruta de transmissão, com 2.1 megabits em modo síncrono. Com isso, a velocidade passou a ser suficiente para comportar uma conexão HSDPA sem grandes limitações, além de ajudar bastante na transferência de arquivos.

Ao comprar o adaptador Bluetooth, certifique-se de que ele oferece suporte ao EDR (o EDR é um recurso opcional, de forma que nem todos os adaptadores Bluetooth 2.0 oferecem suporte a ele) além de, naturalmente, dar preferência a smartphones com transmissores Bluetooth que também ofereçam suporte, já que ele só entra em ação quando suportado pelas duas pontas.

De qualquer forma, com EDR ou sem EDR, o procedimento de configuração é o mesmo. Vamos então aos passos para configurar a conexão via Bluetooth no Linux e no Windows:

Configurando a conexão

Agora que já estudamos sobre as tecnologias, falta o principal, que é a configuração da conexão. Você vai provavelmente achar este trecho um pouco chato, principalmente as partes sobre a configuração no Linux, onde os passos são mais manuais. Entretanto, ele é necessário, já que de nada adianta ter um plano ilimitado se você não conseguir conectar através dele.

Praticamente todos os aparelhos atuais (com exceção do Phone) podem ser usados como modems para acessar através do PC ou notebook. A conexão pode ser feita através de um cabo USB (que é o método mais simples) ou via Bluetooth, que é um pouco mais complicado de configurar, mas acaba sendo mais prático, já que você não precisa conectar o cabo cada vez que quiser conectar.

Tanto no caso do Bluetooth quanto no caso do USB, existem diferenças na configuração para os aparelhos baseados no Windows Mobile (que usam um sistema próprio) e para aparelhos de outros fabricantes. Vamos então às explicações, começando pelo acesso via Bluetooth:

A questão das frequências

Um efeito colateral do UMTS é que ele trouxe de volta o problema do uso de freqüências diferentes em diferentes partes do mundo. Nos EUA são usadas freqüências de 850 e 1900 MHz, na Europa são usadas as freqüências de 900 e 2100 MHz e, no Brasil, são usadas as freqüências de 850 e 2100 MHz, de acordo com o estado e a operadora usada.

Com isso, os aparelhos voltaram a ser lançados em versões diferentes, de acordo com o país ao qual são destinados. O Nokia E71, por exemplo, foi lançado em três versões:

    E71-1 (versão Européia): 900 e 2100 MHz
    E71-2 (versão para os EUA): 850 e 1900 MHz
    E71-3 (versão Brasileira): 850 e 2100 MHz

Veja que apenas a versão nacional suporta ambas as freqüências usadas por aqui. Durante a época do lançamento, muitos compraram a versão Européia (que suporta a faixa dos 2100 MHz, mas não a dos 850 MHz) apenas para descobrir que não conseguiam usá-lo em conjunto com o 3G a Claro ou da TIM nos diversos estados onde é utilizada a faixa dos 850 MHz.

A mesma história se repete em outros modelos, nem sempre com final feliz. O Nokia N95, por exemplo, existe em apenas duas versões. O N95-1, que é a versão Européia, suporta apenas a faixa dos 2100 MHz, enquanto o N95-3 (a versão americana) suporta apenas as faixas dos 850 MHz e 1900 MHz, como você pode conferir nas especificações exibidas no site da Nokia:

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A Nokia vendeu ambas as versões no Brasil, com a Claro vendendo um grande volume de modelos N95-3, que funciona apenas na Claro e apenas nas cidades onde é usado 850 MHz. O N95-1, por sua vez (vendido pelas demais operadoras), funciona tanto na Tim quanto na Vivo e na Oi, mas falha nas cidades com cobertura de 850 MHz da Claro e da própria TIM (onde o aparelho chaveia para o EDGE), uma confusão que resultou em muitos usuários insatisfeitos.

Com relação às operadoras, tanto a Claro quanto a TIM e a Vivo possuem licenças para operar tanto na faixa dos 850 MHz quanto na dos 2100 MHz. A faixa dos 850 MHz oferece vantagens do ponto de vista do alcance (a freqüência mais baixa permite que os sinais se propaguem por uma distância maior, usando a mesma potência de transmissão), mas a maior disponibilidade de equipamentos que utilizam a faixa dos 2100 MHz tem feito com que as operadoras deem preferência a esta faixa de frequência.

A TIM chegou a implantar redes 3G na faixa dos 850 MHz em Minas, Paraná e em Brasília, mas logo adotou o uso da faixa dos 2100 MHz, assim como a Vivo, que também chegou a usar a faixa dos 850 MHz em Minas, antes de também padronizar a rede em torno dos 2100 MHz.

A Claro implantou redes de 850 MHz em AL, CE, DF, ES, GO, MS, MT, PB, PE, PI, RJ, RN, RS e SP, mas também já anunciou que pretende migrar para os 2100 MHz ao longo do ano de 2009. A Oi, que chegou um pouco depois, também optou por utilizar a faixa dos 2100 MHz. Com isso, temos (no final de 2008) o seguinte resumo:

    Claro: 850 ou 2100 MHz, de acordo com a região.
    TIM: 2100 MHz; 850 MHz em MG, PR e DF (em processo de migração)
    Vivo: 2100 MHz
    Oi: 2100 MHz

Como pode ver, tudo indica que a faixa dos 2100 MHz predominará no Brasil, de forma que não é aconselhável investir em aparelhos em versão americana, que suportam apenas 850 e 1900 MHz (como no caso do Nokia N95-3 e do E71-2). Na falta de um modelo tri-band, como o E71-3, a melhor escolha são as versões européias (900 e 2100 MHz).

Modelos antigos, como o E61 (que foi vendido em versão única, com suporte apenas à faixa dos 2100 MHz), não funcionavam inicialmente, devido ao uso dos 850 MHz, mas acabaram sendo reabilitados com a implantação das redes de 2100 MHz, diferente de aparelhos como o N95-3, que fizeram o caminho oposto.

Além de atrapalhar a vida dos usuários, essa confusão de freqüências também não é boa para os fabricantes, que são obrigados a produzir diferentes versões dos mesmos aparelhos. Isso tem levado ao aumento na produção de aparelhos tri-band, capazes de operar nas três freqüências (850/1900/2100MHz). Eles devem se tornar mais comuns a partir da segunda geração de aparelhos 3G, resolvendo o impasse.

O uso da faixa dos 850 MHz na implantação inicial do 3G da Claro se deve a um fator burocrático. No início de 2007 a Claro ganhou na justiça o direito de implantar sua rede 3G usando a faixa dos 850 MHz, que estava vaga devido à desativação da antiga rede TDMA. Isso permitiu que a Claro fizesse a implantação inicial da rede antes das demais operadoras, que foram obrigadas a esperar pelo leilão das freqüências na faixa dos 2100 MHz por parte da Anatel.

Continuando, outra medida importante é verificar quais são os protocolos suportados pelo aparelho. A maioria dos modelos oferecem suporte ao WCDMA e ao HSDPA de 3.6 megabits, de forma que as especificações incluem algo como:

    WCDMA HSDPA with simultaneous voice and packet data
    (PS max speed DL/UL= 3.6Mbps/384kbps, CS max speed 64kbps)

ou

    WCDMA 900/2100 or 850/1900 or 850/2100, maximum speed 384/384 kbps (DL/UL)
    HSDPA class 6, maximum speed 3.6 Mbps/384 kbps (DL/UL)

O grande problema é que existem muitos aparelhos com suporte apenas ao WCDMA, o que limita suas taxas de download a apenas 384 kbits, um problema sobretudo se você pretende usar o smartphone como modem. Nesse caso, você encontrará algo como:

    WCDMA 900/2100 or 850/1900 or 850/2100, maximum speed 384/384 kbps (DL/UL)

No outro extremo, temos alguns aparelhos que já suportam o HSDPA de 7.2 megabits, mas eles ainda são raros. A falta de suporte a ele não chega a ser um grande problema, já que, muito provavelmente, o plano não permitirá o acesso a 7.2 megabits de qualquer forma.

O principal motivo para alguns aparelhos suportarem apenas o WCDMA é que o suporte ao HSDPA exige o uso de um processador ARM extra (encarregado da modulação e do processamento dos sinais) que, naturalmente, aumenta o custo de fabricação. Isso faz com que alguns modelos de baixo custo (como o Nokia E63) fiquem limitados ao WCDMA.

Assim como no ADSL e outras modalidades de acesso, as altas taxas do UMTS podem ser limitadas pela operadora de acordo com o plano. Isso permite aumentar o número de assinantes suportados dentro de uma determinada estrutura e adiciona a possibilidade de cobrar mais caro pelos planos mais rápidos. A Claro, por exemplo, oferecia planos de 500 kbits e 1 megabit durante o lançamento do serviço com, respectivamente, quotas de tráfego de 5 GB e 10 GB.

Concluindo, temos também o HSUPA (também chamado de EUL), um padrão atualizado, que complementa as melhores taxas de download do HSDPA com melhoras também nas taxas de upload, indo de 730 kbps (no HSUPA categoria 1) até 5.76 megabits (HSUPA categoria 6), de acordo com a implementação. Por ser apenas uma extensão do UMTS e não um novo padrão 3G, os investimentos necessários para migrar as redes são relativamente pequenos, já que é necessário apenas substituir alguns equipamentos nas torres e redimensionar a estrutura de roteamento, sem exigir o licenciamento de novas faixas de freqüências ou substituição de antenas.

O HSUPA já é suportado por alguns aparelhos, entre eles o HTC Touch Pro e o Nokia 6260 e já é usado por operadoras de diversos países. Uma das primeiras a migrar foi a CellCom de Israel, que concluiu a atualização da rede em 2008. Espera-se que, a partir de 2009, a maior parte dos aparelhos vendidos já ofereçam suporte a ele.

É importante enfatizar que o HSDPA e o HSUPA são dois padrões complementares e não concorrentes. O HSDPA melhora as taxas de download em relação ao WCDMA, enquanto o HSUPA melhora as taxas de upload. De acordo com os equipamentos usados, as operadoras podem suportar ambos os padrões, oferecendo tanto download quanto upload mais rápidos, ou suportar apenas o HSDPA.

No Brasil, a única operadora a já utilizar o HSUPA (no início de 2009) é a Vivo, o que pode resultar em um diferencial competitivo no futuro. Ainda não existem notícias sobre o HSUPA por parte da Claro, da TIM ou da Oi, já que elas optaram por inicialmente implantar apenas o HSDPA e precisarão trocar equipamentos para oferecerem o HSUPSA. Como não existe tanta demanda por melhores taxas de upload quanto existe por downloads mais rápidos, pode ser que a atualização demore um pouco.

UMTS (3GSM)

Apesar de inicialmente ter concorrido com o EVDO, o UMTS acabou emergindo como a tecnologia adotada por todas as operadoras nacionais que já oferecem acesso 3G, entre elas a Claro (que passou a oferecer planos 3G baseados no UMTS a partir do final de 2007), a TIM, a Oi e até mesmo a Vivo, que passou a operar uma rede mista, com o UMTS e o EVDO.

Assim como no caso do GSM, que suporta o uso do GPRS e do EDGE, o UMTS permite o uso de dois modos de acesso, que são usados de acordo com a disponibilidade, qualidade da recepção e do modo suportado pelo aparelho.

O mais básico é o WCDMA (não confundir com o CDMA, que é o padrão concorrente do GSM), que oferece taxas de transmissão de até 384 kbits, tanto para download quanto para upload. Apesar de, no papel, o valor ficar próximo dos 236.8 kbits oferecidos pelo EDGE, na prática o WCDMA oferece tempos de latência muito melhores e uma conexão muito mais utilizável. Um bom exemplo da diferença é o uso de aplicativos de VoIP, que são quase inutilizáveis no EDGE, devido ao lag na transmissão, mas fluem de forma satisfatória no WCDMA.

Em seguida temos o HSDPA, um protocolo mais recente, que reduz a latência e aumenta a taxa de download da rede de forma expressiva. Usando o HSDPA como protocolo de transporte, o UMTS suporta taxas de 1.8, 3.6, 7.2 e 14.4 megabits, de acordo com a implementação usada pela operadora (no Brasil a versão de 7.2 megabits é a mais comum). Naturalmente, a velocidade real varia de acordo com a qualidade do sinal e o número de usuários conectados à mesma estação de transmissão, mas ela é sempre bem mais alta que no WCDMA.

O grande problema é que o HSDPA funciona bem apenas a distâncias relativamente curtas, por isso os aparelhos chaveiam automaticamente para o WCDMA nas áreas de menor cobertura, fazendo com que a taxa de transmissão seja reduzida. Outra limitação é que o HSDPA aumenta apenas a taxa de download, sem fazer nada com relação ao upload, que continua sendo de apenas 384 kbits, assim como no WCDMA.

O HSDPA é considerado um protocolo 3.5G e (na maioria dos aparelhos) é possível verificar qual sistema está sendo usado simplesmente olhando o ícone da conexão. Um "3.5G" indica que está sendo usado o HSDPA, um "3G" que está em uso o WCDMA, um "E" que está sendo usado o EDGE e um "G" que você está em uma área em que apenas o velho GPRS está disponível:

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Nos Nokia, você vai notar que o ícone do 3.5G aparece apenas enquanto o aparelho está transmitindo dados. Isso acontece por que ele realmente utiliza o HSDPA apenas enquanto está a conexão está ativa. No resto do tempo, ele chaveia de volta para o WCDMA, para economizar energia, fazendo com que o ícone volte ao "3G".

CDMA

O CDMA é o principal concorrente do GSM. Apesar de ser superior em alguns aspectos, o CDMA é um padrão proprietário da Qualcomm, que recebe royalties sobre os equipamentos vendidos, enquanto o GSM é um padrão aberto.

Tecnicamente falando, o CDMA é uma tecnologia usada como base para os padrões cdmaOne e CDMA2000, que são os padrões de telefonia. Para evitar a necessidade de entrar em detalhes desnecessários, ambos são referidos apenas como "CDMA", que é o termo mais popularmente usado. Se estiver interessado nos detalhes técnicos, consulte o http://www.cdg.org/technology/.

No Brasil, o CDMA acabou sendo adotado apenas pela Vivo, Embratel e Vesper, com todas as demais operadoras optando pelo GSM. A partir de 2007, a Vivo passou a operar uma rede mista, oferecendo tanto cobertura CDMA quanto GSM e, em 2008, migrou sua rede 3G do EVDO para o UMTS, indicando que pretende eliminar, ou pelo menos reduzir os investimentos na rede CDMA.

Migrações similares ocorreram também em outros países, como no caso dos EUA, onde a AT&T e a Cingular já fizeram a migração para o GSM, deixando apenas a Sprint e a Verizon insistindo no CDMA. Outro sintoma digno de nota foi a decisão da Nokia (divulgada em 2006) de parar de produzir aparelhos CDMA, concentrando-se no GSM. É ainda possível encontrar alguns modelos CDMA da Nokia, como o 2105, mas eles são, na verdade, produzidos por outras empresas e apenas revendidos pela Nokia com sua marca.

O padrão CDMA ainda tem uma participação considerável aqui no Brasil, com a rede da Embratel e a rede CDMA da Vivo, que continua ativa. É certo que o uso do padrão irá decair com o tempo, mas isso ainda pode demorar um pouco, de forma que é interessante saber um pouco sobre a tecnologia.

Com relação ao tráfego de dados, que é o que nos interessa, a modalidade mais básica de acesso dentro do CDMA trabalha a 14.4 kbits, o que parece piada perto dos padrões atuais, mas que era aceitável na época em que o sistema começou a ser implementado, já que o CSD (que na época era o concorrente direto) operava a apenas 9.6 kbits.

O padrão seguinte (que acabou sendo o mais usado, sobrevivendo em grande escala até hoje) é o 1xrtt (também chamado de CDMA 2000 1xrtt), que multiplicou por 10 a taxa de transmissão, atingindo 144 kbits. Embora mais rápido que o GPRS, o 1xrtt também é considerado uma modalidade de acesso 2.5G.

Além de ser usado para acesso nos celulares CDMA, o 1xrtt foi usado na primeira versão do Vivo Zap, que inaugurou o uso dos planos de acesso à web usando modems USB. Mesmo com a implantação da rede EVDO da Vivo, o 1xrtt continuou sendo usado como sistema de fallback para áreas onde o EVDO não estava disponível, ou para uso em aparelhos antigos, sem suporte ao novo sistema.

Com a implantação das redes 3G UMTS da Claro, Tim e depois da própria Vivo, o 1xrtt parecia destinado a sair de cena definitivamente, mas acabou tendo um retorno inesperado com a compra da Vesper pela Embratel, que herdou a licença para oferecer serviços de acesso baseados no padrão CDMA.

Aproveitando a rede já existente e grande a oferta de equipamentos antigos, a Embratel passou a oferecer o Livre.com (http://www.embratel.com.br/giro), um serviço de telefonia e acesso à web via 1xrtt, predominantemente destinado aos usuários de acesso discado.

Como todo protocolo de transmissão de dados sem fio, o 1xrtt tem um overhead relativamente grande, o que, combinado com as tradicionais obstruções e oscilações no sinal, faz com que, na prática, a velocidade não seja muito superior à do acesso discado. Entretanto, o 1xrtt tem uma pequena vantagem, que é a melhor penetração em áreas rurais ou com obstáculos, o que permite que o serviço seja usado em muitas áreas de pouca cobertura, onde outras modalidades de acesso não estão disponíveis.

No caso da Embratel, o acesso é combinado com um serviço de telefonia "fixa", onde você recebe um celular CDMA que pode ser utilizado apenas dentro de uma área específica ("com liberdade para acessar de qualquer ponto da casa", como bem explicado nos anúncios... :p), similar a planos oferecidos pela TIM.

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O acesso à web é feito usando o celular como modem, ligado ao micro via cabo USB. As opções de aparelhos não são muito animadoras, incluindo modelos como o Nokia 2115 e o 1508i, que (embora sejam na verdade lançamentos recentes) parecem ter saído de alguma promoção de queima de estoque do final da década passada. Em compensação, o serviço é barato, com acesso ilimitado por R$ 29 mensais (com direito ao famoso "ligue agora e ganhe desconto nos primeiros meses"...), desde que combinado com um plano de voz de R$ 15 mensais.

Isso faz com que apesar da baixa velocidade e do apelo popular, ele acabe sendo uma opção de acesso de baixo custo para quem mora em áreas onde não existe outra opção, ou para quem quer um segundo plano de acesso para backup, sem gastar muito.

Em seguida temos o EVDO (também chamado de EV-DO, 1xEV-DO ou CDMA 2000 EVDO), que é o padrão 3G dentro do CDMA, oferecendo taxas de transmissão de até 2.4 megabits. Ele foi usado na versão inicial do Vivo Zap 3G que, lançado em 2005, acabou sendo o primeiro serviço de acesso 3G no Brasil, anterior às redes UMTS. Como de praxe, os 2.4 megabits são teóricos; na prática é possível atingir pouco mais de 1 megabit em uma boa conexão.

Embora o EVDO seja originalmente mais lento que o UMTS, a velocidade final depende mais da qualidade da estrutura de cada operadora, assim como as limitações de banda definidas. Um plano UMTS limitado a 512 kbits, por exemplo, seria muito mais lento que uma conexão via EVDO sem limitações. Existe ainda o EVDO Rev B, que está em fase de implementação em algumas áreas dos EUA (mas não no Brasil), que eleva a taxa de transmissão para 4.9 megabits e adiciona a possibilidade de combinar três portadoras na mesma conexão, elevando a taxa para 14.7 megabits, o que é competitivo com as versões mais rápidas do UMTS.

Apesar disso, o futuro do EVDO no Brasil é incerto, já que ele é usado apenas pela Vivo, que de 2007 para cá passou a investir fortemente na expansão da sua rede GSM e na implantação do UMTS, deixando a rede CDMA e o EVDO em segundo plano. Um dos motivos disso é o alto custo dos equipamentos para redes CDMA (devido à pequena escala de produção, combinada com os royalties pagos à Qualcomm) e dos próprios smartphones e modems USB compatíveis com o padrão.

Ainda existem muitos usuários utilizando os planos antigos de acesso via 1xrtt ou EVDO e, por enquanto, não existem notícias de que eles serão descontinuados em um futuro próximo. Entretanto, se você for a uma das lojas da Vivo, vai notar que os vendedores são instruídos a oferecer apenas os novos planos, baseados na rede GSM.

No final de 2008, o único serviço de acesso da Vivo que ainda é baseado na rede CDMA é o Vivo Residencial, um serviço de "telefonia fixa" utilizando a rede celular, destinado a quem mora em áreas afastadas. Nele, é possível combinar o plano de voz com acesso à web usando o CDMA 1xrtt. Uma forma simples de verificar se você está usando um dos planos GSM ou um dos antigos planos CDMA (no caso da Vivo) é verificar o número de conexão usado. Os planos CDMA utilizam o número #777, enquanto os planos GSM usam o *99#.

GSM

O GSM (Groupe Spécial Mobile, mais tarde renomeado para Global System for Mobile) surgiu da união de vários países Europeus, em torno da idéia de criar um padrão unificado de telefonia, capaz de substituir os diversos padrões proprietários usados na primeira geração de redes celulares. A primeira rede GSM entrou em operação em 1991, na Finlândia, e o padrão se popularizou rapidamente desde então, tornando-se o padrão dominante em todo o mundo.

A padronização em torno do GSM acabou sendo um dos principais fatores que possibilitaram a massificação dos celulares e dos smartphones, já que o uso de um padrão comum permitiu que os custos caíssem e que os mesmos aparelhos fossem vendidos em diferentes países, com apenas pequenas alterações nos softwares e nas funções.

A tecnologia mais básica de acesso dentro do GSM é o CSD (Circuit Switched Data), um sistema que permitia conexões a 9.6 kbits, mas que ainda era tarifado por minuto, da mesma forma que uma chamada de voz. No CSD, a conexão era feita pelo próprio celular, sem necessidade de um modem externo: bastava comprar um cabo de dados e configurar a conexão usando um software fornecido junto com ele (ou baixado da página do fabricante do aparelho). Como a conexão era muito lenta, era utilizável apenas para tarefas leves, como trocar mensagens de texto e e-mails.

O GPRS (considerado uma tecnologia 2.5G) foi o primeiro sistema de acesso à web através da rede celular realmente utilizável. Ele é um sistema inteiramente digital, baseado na transmissão de pacotes, tarifado de acordo com o volume de dados transferido e não mais por tempo de conexão.

No GPRS são usados slots (ou canais) de dados, com de 8 a 20 kbits cada um, de acordo com o sistema de modulação usado. O CS-4, usado apenas quando o aparelho está próximo à antena, oferece os 20 kbits completos. Conforme decai a qualidade do sinal, passa a ser usado o CS-3 (14.4 kbits), CS-2 (12 kbits) ou CS-1 (8 kbits).

No sistema adotado pela maioria das operadoras, são usados um total de 5 slots, 4 deles para download e um para upload, resultando em de 32 a 80 kbits de download e de 8 a 20 kbits de upload. Entretanto, as taxas obtidas na prática ficam um pouco abaixo disso, devido aos pacotes perdidos e às retransmissões.

É comum que as velocidades das conexões GPRS sejam comparadas às dos modems discados, mas na prática elas acabam parecendo mais lentas, devido à enorme latência da conexão. Enquanto em uma conexão via modem a latência da conexão fica em torno de 100 a 200 ms, no GPRS fica geralmente entre 500 e 1000 ms, de acordo com a qualidade do sinal e o número de estações retransmissoras por onde ele precise passar até chegar à central.

Atualmente, o GPRS é a modalidade mais simples de conexão oferecida pelas operadoras GSM, usado como fallback nas áreas onde o UMTS ou o EDGE não estão disponíveis. Em seguida, temos o EDGE, uma evolução do GPRS, que mantém a mesma estrutura GSM, mas implementa um novo sistema de modulação, que multiplica por três a velocidade de conexão. Apesar do aumento da velocidade, o EDGE não é considerado uma tecnologia 3G, mas sim 2.75G.

No EDGE são utilizados nove sistemas de modulação, que vão do MCS-9 (59.2 kbits por slot) até o MCS-1 (8.8 kbits), passando por estágios intermediários de 54.4, 44.8, 29.6, 22.4, 17.6, 14.8 e 11.2 kbits, de acordo com a qualidade do sinal. Assim como no GPRS, são usados 4 slots para download e um slot para upload, o que resulta em de 35.2 a 236.8 kbits para download e de 8.8 a 59.2 kbits para upload.

Mesmo nas redes GSM já atualizadas para o EDGE, o GPRS continua disponível, atendendo a aparelhos que não ofereçam suporte ao EDGE, como é o caso de aparelhos antigos e também de muitos dos aparelhos made-in-China vendidos no mercado informal.

Não existe diferença prática no alcance do sinal entre o EDGE e o GPRS, por isso os aparelhos que usam o EDGE continuam usando o sistema independentemente da qualidade do sinal. Entretanto, a velocidade de acesso do EDGE cai mais rapidamente conforme o sinal fica mais fraco e, nas áreas onde o sinal é ruim, a diferença entre os dois é muito pequena (35.2 contra 32 kbits).

O EDGE pode ser ampliado para 8 slots, o que dobra a velocidade, permitindo atingir 473.6 kbits e duas portadoras podem ser combinadas em uma única conexão, novamente dobrando a taxa de download, que passa a ser de quase 1 megabit. Esta tecnologia é chamada de EDGE Evolution e pode ser usada pelas operadoras como uma solução interina entre o EDGE e o UMTS (3G) mas ela não chegou a ser utilizada pelas operadoras nacionais, que preferiram migrar direto para o 3G.

Apesar da velocidade de transferência "bruta" ser relativamente alta, as conexões via EDGE trabalham com uma latência muito elevada, o que torna o carregamento das páginas muito mais lento. Nas conexões via GPRS o acesso é ainda pior, já que a latência é combinada com a baixa taxa de transferência. De uma forma geral, navegar via EDGE não é muito diferente da experiência de navegar usando um modem de 56k e uma conexão via GPRS se assemelha a uma conexão via modem com uma linha ruim.

Por outro lado, as coisas são muito melhores no 3G, onde houveram grandes melhoras nas duas frentes. Em uma área com boa cobertura, você pode até mesmo fazer ligações VoIP de forma relativamente confortável e, com um plano de dados ilimitado, você pode arriscar baixar um ISO de CD ou fazer downloads de outros arquivos grandes.

O grande problema em usar uma conexão 3G através do celular é que a alta velocidade de transmissão dos dados faz com que a carga da bateria se esgote rapidamente. Na maioria dos modelos, a autonomia ao transferir dados continuamente (como ao fazer um download) é de menos de duas horas, de forma que um carregador USB acaba sendo um acessório importante para quem acessa usando o notebook.

Naturalmente, o aparelho é capaz de economizar energia quando dados não estão sendo transferidos, de forma que se você usar a conexão apenas para navegar e executar outras tarefas básicas, com um baixo volume de transferência de dados, a bateria pode durar vários dias.

As tecnologias

As conexões móveis estão se tornando as sucessoras do acesso discado, no sentido de que estão disponíveis em praticamente qualquer lugar, atendendo até mesmo as áreas mais afastadas, onde outras modalidades de acesso não estão disponíveis. Elas fazem também alegria de quem precisa de uma conexão contínua em qualquer lugar, para trabalhar ou manter contato com os amigos.

Entretanto, nem sempre foi assim. Na época dos celulares analógicos (1G), a única forma de acessar a web através do celular era ligá-lo a um modem discado e acessar através dele. Como a qualidade da chamada era ruim, a conexão funcionava a no máximo 2.4 kbits, uma velocidade comparável com a dos modems do início da década de 1980.

Essas conexões eram usadas por alguns pioneiros para ler e-mails e trocar mensagens rápidas quando estavam em lugares afastados, onde nenhuma outra forma de conexão estava disponível. Em geral, era um pouquinho mais rápido do que escrever em papel e mandar pelo o correio... :) As coisas mudaram a partir da introdução das redes GSM e CDMA 2000, que trouxeram o GPRS, EDGE, 1xrtt, EVDO e, mais recentemente, com a implantação das redes 3G, também o WCDMA e o HSDPA/HSUPA.

Acesso móvel

Inicialmente as conexões usando o celular eram incrivelmente lentas e caras, mas a migração das redes para o sistema digital abriu caminho para novos protocolos de transmissão, que tornaram as conexões de banda larga através das redes móveis uma realidade.

Junto com o aumento nas velocidades de transmissão, o custo do acesso caiu bastante. Até pouco tempo atrás, a tarifa "normal" para o acesso via GPRS ou CDMA na maioria das operadoras era de R$ 5 a R$ 6 por MB transferido, chegando a absurdos R$ 15 por megabyte nos planos pré-pagos.

Com preços como esses, apenas os mais intrépidos usavam as conexões, navegando através do próprio celular, usando navegadores móveis como o Opera Mini, ou proxys que otimizam as páginas e reduzem o volume de dados transferidos, como o http://www.google.com/gwt/n.

Percebendo que poderiam ganhar dinheiro vendendo acesso à web, as operadoras modernizaram as redes e passaram a oferecer planos com quotas mais generosas de tráfego, ou mesmo tráfego ilimitado, usando ou o próprio celular (ligado ao PC via cabo, ou via Bluetooth) ou, usando um modem USB ou PC-Card.

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Apesar das melhorias, as conexões via celular ainda trabalham com velocidades bem inferiores às permitidas pelo acesso via ADSL ou cabo, sem contar que a latência da conexão é muito mais alta e a velocidade varia muito, de acordo com a região e o horário.

Um dos problemas fundamentais é que cada antena de transmissão dispõe de uma quantidade limitada de banda, que é compartilhada entre todos os usuários conectados a ela. Com isso, as operadoras são obrigadas a limitar o tráfego de dados, seja limitando a velocidade, seja estabelecendo quotas de tráfego, de forma a limitar o uso e, assim, evitar a saturação da rede.

Ainda assim, o acesso via 3G é uma opção tentadora para quem passa muito tempo em trânsito e precisa de uma conexão disponível em qualquer lugar. Vamos então a um resumo das opções disponíveis.

sexta-feira, março 06, 2009

Particionamento, RAID e Grub

Como comentei no tutorial sobre o OpenSUSE, a principal vantagem do LVM é flexibilizar o particionamento, permitindo que você redimensione os volumes lógicos e adicione mais HDs quando precisar de mais espaço, sem nem mesmo precisar reiniciar a máquina. Estes são recursos interessantes para uso em servidores, mas não muito para desktops, justamente por isso as opções são mostradas apenas ao instalar usando o Alternate CD.

Escolhendo o particionamento manual, você tem acesso a uma lista com as partições disponíveis. Ao selecioná-las, você tem acesso a um menu adicional, onde pode definir como ela será usada, especificando o sistema de arquivos que será usado (o EXT3 é o mais recomendável para uso geral), o ponto de montagem e as demais opções:


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A flag "sync", por exemplo, que pode ser marcada ao acessar as opções de montagem, faz com que a partição seja acessada em modo síncrono (sem o uso de cache de disco), o que reduz o desempenho, mas em troca melhora a segurança contra perda de dados em caso de quedas de luz ou desligamentos acidentais. O uso não seria aconselhável para uso na partição de instalação do sistema (o desempenho ficaria muito ruim), mas ela pode ser usada em uma partição separada, destinada a armazenar arquivos e configurações, por exemplo.

A opção "Blocos reservados" especifica uma percentagem do espaço da partição que fica reservado ao uso do root (o default são 5%). Este espaço reservado é importante na partição raiz, para evitar que o sistema deixe de inicializar caso você se descuide e entupa a partição com arquivos diversos, mas pode ser desativado em outras partições, destinadas a apenas armazenarem arquivos.

No caso de um HD já particionado, você usaria a opção "Remover a partição" para excluir algumas das partições antigas e liberar espaço para criar outras. Note que está disponível também a opção "Copiar os dados de outra partição", que permite transferir os dados de uma partição antiga durante o próprio processo de particionamento. Ao terminar, use o "Finalizar a configuração da partição".

O processo se repete para cada partição que precisar criar ou modificar. Não se esqueça de criar uma partição pequena para o swap (basta escolher "swap" na opção "usar como") e, de preferência, criar uma partição separada para o diretório home, ou para armazenar arquivos. Se por acaso você tiver um segundo HD disponível (sobra de algum upgrade anterior, por exemplo), uma boa coisa é montá-lo em outro diretório e usá-lo para backup:

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Por padrão, o instalador monta as outras partições que encontrar no HD (incluindo as partições do Windows e de outras distribuições), na pasta "/media", mas você pode mudar para a pasta "/mnt" ou outra pasta que preferir. O instalador detecta e usa as partições swap automaticamente, mesmo que o HD eventualmente tenha mais de uma. Ao terminar, selecione a opção "Finalizar o particionamento e gravar as mudanças no disco" (no final da lista), para continuar com a instalação.

Caso você tenha dois ou mais HDs, o instalador oferece a opção de usar RAID via software, onde duas partições (uma de cada HD) são combinadas (RAID 0) e o sistema passa a acessá-las como se fosse uma partição só, dividindo os dados entre elas. Isso aumenta o desempenho, mas diminui a confiabilidade, pois qualquer problema com um dos dois HDs faz com que todos os dados sejam perdidos.

Existe também a opção de usar RAID 1, onde a partição no segundo HD simplesmente guarda uma cópia dos dados do primeiro. Neste caso não existe ganho nenhum de desempenho (pelo contrário, temos uma pequena perda), mas você ganha em confiabilidade, já que o segundo HD passa a armazenar um backup automático. Este sistema de RAID via software funciona da mesma forma que o RAID feito usando uma controladora dedicada, porém funciona usando as portas IDE ou SATA da placa-mãe, sem precisar de hardware adicional.

Para usar as partições em RAID você precisa mudar o sistema de arquivos para "volume físico para RAID". Depois de combinadas, as duas partições passam a ser vistas como uma única partição, que pode ser finalmente formatada usando o sistema de arquivos que preferir.

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Depois da cópia dos pacotes, o instalador pergunta sobre o download dos pacotes com as traduções. Embora seja mais fácil deixar que o instalador se encarregue disso, é possível instalar manualmente depois, usando o apt-get ou o Synaptic.

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Depois de definidas as senhas, o passo final é configurar o gerenciador de boot. O Ubuntu usa do grub ao invés do lilo. Caso você esteja instalando ele sozinho, ou em dual-boot com o Windows, basta instalar o grub no MBR, respondendo "sim" quando ele pergunta "Instalar o carregador de inicialização GRUB no registro de inicialização principal?". Assim como ao instalar usando o Live-CD, o instalador é capaz de detectar outros sistemas operacionais instalados e já inclui as entradas no menu de boot automaticamente.

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Se, por outro lado, você está instalando o Ubuntu junto com outras distribuições Linux, essa etapa inspira mais cuidados. Uma das distribuições deve instalar o gerenciador na MBR e as demais no primeiro setor da partição. Se você simplesmente for mandando todas instalarem na MBR, uma vai substituir a outra e no final vai conseguir inicializar apenas a última.

Para instalar o grub no primeiro setor da partição, responda "não" na pergunta e especifique a partição de instalação do sistema seguindo a nomenclatura do grub. Se você está instalando na partição "/dev/sda2", por exemplo, responda "hd0,1", se está instalando "/dev/sda5", responda "hd0,4" e assim por diante.

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Outra dica é que se você fez alguma escolha errada ao longo da instalação, pode corrigir o erro no final. Respondendo "não" quando o instalador pergunta se você quer reiniciar a máquina, você tem acesso a um menu que permite repetir qualquer passo da instalação.